Presidente do 23º Congresso Brasileiro de Psicodrama, Maria Célia Malaquias

Maria Célia Malaquias
Presidente do 23º Congresso Brasileiro de Psicodrama

Congressistas de todo o país, saudações!

2022 se aproxima e com ele a oportunidade de revivermos os dias inesquecíveis que um Congresso representa para nossa vida profissional e pessoal. Participar deste grande evento é, para mim, a oportunidade de viver um formidável encontro científico e também humano. Minha estreia em congressos foi em 1990; desde esta data, participei em quase todas as edições, inclusive alguns internacionais (IAGP e Ibero-americano).

Sempre achei incrível a oportunidade de conciliar a efervescência do movimento psicodramático com a possibilidade de rever pessoas queridas, reviver abraços, os encontros pelos corredores, as conversas que nem sempre são concluídas porque logo aparece mais alguém entre uma oficina e outra e corremos para mais um saudoso abraço.

Viver o congresso, para mim, é permitir-se a delícia de uma imersão em um grande grupo, em que as distâncias geográficas parecem já não mais existir. É abastecer-se destes momentos de convergência sociométrica e voltar com uma bagagem de experiências para o dia a dia, muito maior do que a programação oficial poderia mencionar.

Este 23º CBP para mim é carregado de significados. Inicialmente, eu fui surpreendida com o convite da diretora de eventos da Febrap, Silvana Becker, para presidir o 23º CBP. Nunca imaginei ocupar este lugar e pensei em recusar o convite! Após muito refletir, tentei entender o momento que vive o movimento psicodramático brasileiro, o que vivenciamos no 22º CBP, os temas que emergiram, as expectativas por mais representatividades, as singularidades e pluralidade.

De repente, dei-me conta que tudo isso soava forte em mim! Não era algo individual, mas coletivo. Movida por estas questões e pela confiança na parceria com Silvana e toda equipe, finalmente foi possível aceitar e honrar o convite.

Ao me apresentar como mulher negra brasileira, tenho ciência do papel político que represento. No Brasil, a população negra representa 54% e, após 22 congressos brasileiros de Psicodrama, pela primeira vez, uma mulher negra o está presidindo.

Salto para o mundo em rede? Este é o tema para o qual nos preparamos. Sabemos que são tempos desafiadores para todas as pessoas, em diversos âmbitos de suas vidas. Apesar do cenário de crise, com todas as incertezas e preocupações que a pandemia nos trouxe, 2020 nos permitiu experimentar pela primeira vez um congresso brasileiro de Psicodrama realizado de forma totalmente virtual, unindo em uma mesma plataforma a criatividade e a disposição para o encontro de pessoas de diversas partes do país, firmes no propósito de fazer o legado de J. L. Moreno se transformar e multiplicar.

Foi um momento de emergência de muitas vozes, ocasião em que recebemos provocações ao novo e a olhar a partir de outras perspectivas. A partir de tudo que vivemos neste congresso, que salto demos? De onde partimos e para onde estamos indo? Rede, no singular, representa a grande rede moreniana, em que cabem todas as redes. Quem vai responder a esta indagação somos nós, psicodramatistas. Que salto demos? O congresso pode ser uma oportunidade para a participação psicodramática (de quem apresenta e de quem participa): que resposta daremos a esta pergunta?

Dentre os muitos objetivos que este congresso busca abarcar, gostaria aqui de frisar as ações que nos movem: criar espaços de expressão, congregar pluralidades, incrementar saberes já estabelecidos e divulgar novos estudos, valorizar as ações, incluir pessoas e movimentos e viabilizar a acessibilidade, em um clima afetivo e acolhedor, que estimule o intercâmbio de ideias, experiências e vivências.

Vários temas serão discutidos no congresso, dentre eles, queremos dar especial visibilidade para temas que acreditamos serem urgentes para a comunidade psicodramática brasileira: educação antirracista, diversidade de gênero, sustentabilidade e questões ligadas aos povos originários.

Recebemos um legado que vem sendo coconstruído ao longo da história do Psicodrama no Brasil, desde os primeiros trabalhos de Alberto Guerreiro Ramos e seguimos avançando. Gostaria aqui de agradecer a todas, todos e todes que colaboram, cada pessoa a seu tempo, para chegarmos a coconstrução do 23º CBP – Salto para o mundo em rede? Estou na liderança de uma grande e competente equipe organizadora, psicodramatistas de diferentes gerações, de diversos estados e instituições federadas, empenhada em proporcionar ao movimento psicodramático brasileiro um encontro potente de reflexões, expressões e aprendizados.

Presencial e/ou virtualmente, participem! Juntem-se a nós, vamos manter nosso aquecimento em direção ao grande encontro em setembro de 2022. Lá, nossos palcos aguardam para compartilharmos fazeres psicodramáticos e momentos de trocas transformadoras.

Em nome da comissão organizadora do 23º CBP, gostaria de convidar vocês, psicodramatistas, pessoas em formação de Psicodrama, estudantes de graduação, profissionais das mais diversas áreas da saúde, educação, empresas, instituições, comunidades e outras, do Brasil e de outros países, para que venham fazer parte. Acompanhem e divulguem nossas redes sociais.

Será uma alegria encontrar vocês pelos corredores presenciais ou virtuais, abraçarmo-nos se a ocasião for propícia e construirmos a rede que sustenta a comunidade psicodramática e permite a ousadia do salto.

Abraços Cordiais

Maria Célia Malaquias
Presidente do 23º Congresso Brasileiro de Psicodrama

23º Congresso Brasileiro de Psicodrama

02 a 07 de setembro de 2022

Programação

Confira a programação do 23° Congresso Brasileiro de Psicodrama.

Inscrições

Em breve inscrições do 23° Congresso Brasileiro de Psicodrama.

Trabalhos

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